3 motivos que me levaram a fundar a Universidade Orgânica

3 Motivos que me Levaram a Fundar a Universidade Orgânica (UO)

Olá, sou Fabio Morais, Agrônomo e fundador da Universidade Orgânica.

A ideia de se criar algo surge muitas vezes da necessidade de alterar o que você considera  não estar de acordo com suas crenças profissionais e pessoais. No meu caso, essa necessidade aflora quando entro na faculdade de agronomia, até então com a minha formação de técnico em agropecuária nunca tinha feito uma reflexão de nosso modelo agrícola.

A dois anos atras fundei a Universidade Orgânica com a missão de mostrar que é possível cultivar alimentos agroecológicos em qualquer espaço. Uma comida de verdade que alem de alimentar o corpo, alimenta também sua mente ao questionar o modelo perverso de agricultura que contamina nosso planeta.

Universidade é uma palavra originária do latin universitas que significa totalidade ou “tornado em um”, ou seja reconhecer o todo sem deixar de analisar as partes. A palavra orgânica remete também a organismo, a sistema, e que devemos encarar ou entender o agroecossistema como um organismo com milhões de subsistemas e relações estabelecidas.

Ao contrário que muitos pensam o projeto UO não é uma entidade física com prédios e salas, é uma iniciativa totalmente online de educação agroecológica que se utiliza de varias ferramentas tecnológicas para levar informações de qualidade sobre uma agricultura criadora de vidas. E que pode ser praticada aí na sua cidade ou no seu cantinho rural.

Dessa maneira listo os 3 motivos pelos quais fundei a UO.

O primeiro motivo é o Inconformismo.

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Fonte: http://www.transcendentalismvinson.weebly.com/non-conformity.html

Não estar conformado com algo é sentir-se incomodado com a realidade que nos cerca e começar a questionar se aquela condição que vivemos não pode ser alterada ou se não existe outro caminho.

Para mim essa reflexão começou na faculdade de agronomia, quando me foi apresentado uma única forma de produção de alimentos, um único modelo. Aquele modelo de 120 anos que preza pelo monocultivo e pela utilização de grandes quantidades de agrotóxicos e adubos químicos.

Quando indagava meus professores sobre o modelo convencional de fazer agricultura, as respostas eram evasivas e que um modelo alternativo não era viável em grande escala. Foi aí que pensei em buscar pessoas que tinha alguma afinidade de pensamento sobre esse tema.

Não é que encontrei! Sempre tem alguns raros loucos questionando o “status quo”, não é mesmo?

Encontrei um grupo de estudantes que falavam de uma tal de agricultura “alternativa”, pragavam o uso de insumos locais, sementes adaptadas as condições regionais, conhecidas hoje como sementes crioulas e a utilização de adubos orgânicos com uma produção mais limpa sem agrotóxicos. Pensei, aqui é o meu lugar!

Mas pagar o preço por ser diferente não é uma caminhada fácil.

Pense agora numa faculdade de agronomia em que 99% dos alunos e professores são catequizados a pensar num só modelo? Infelizmente  nos dias atuais ainda é assim. Eramos os loucos, os “bichos-grilo” – não sei nem se você conhece essa gíria!

Meu inconformismo aflorou quando visitando algumas áreas de produção de tomates, observei que os agricultores não se alimentavam do próprio alimento produzido, e quando indagado por isso, diziam que era aplicados muitos “remédios”. Os remédios eram as dezenas de agrotóxicos pulverizados semanalmente, é claro!

Meu segundo motivo se traduz em uma frase: Não seguir a Manada

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Fonte: http://bigthink.com/think-tank/want-to-be-a-billionaire-dont-follow-the-herd

Seguir a Manada significa fazer a mesmo coisa sem questionar! Sem olhar para trás e só seguindo o fluxo do sistema. Agora, como saber se você está seguindo a manada ou já está começando a sair fora dela? Bem, no meu caso e de algumas pessoas que sigo, o primeiro sintoma foi ser chamado de louco. Isso mesmo, um louco é aquele que questiona modelos aparentemente imutáveis, que deseja construir algo novo, algo diferente dos padrões muitos vezes impostos pela sociedade.  

Agora, tem-se um preço a pagar! Lutar contra a correnteza não é uma tarefa fácil, mas quando cada vez mais pessoas saem da manada, esse preço começa a ser diluído. No meu caso, acredito que é possível uma agricultura limpa, saudável e que gere vida no sistema.

E mesmo na faculdade como eu já disse encontrei um grupo de alunos que não estavam dispostos a seguir a manada. O primeiro preço de quem desafia a acomodação é o preconceito. Pelo simples fato de entrar para um grupo que questiona a realidade agrícola do Mundo, muitas vezes escutei dos meus amigos que eu tinha me juntado aos “Verdinhos” aos “Ecochatos”. E que essa história de agricultura alternativa não era viável para alimentar o mundo.

Atualmente graças a nossa insistência num modelo alternativo de agricultura, não existe dúvidas quanto a viabilidade de agroecologia, da agricultura orgânica, da permacultura, enfim de todos esses pensamentos para um mundo melhor.

O terceiro motivo é que eu acredito na minha visão de mundo.

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Fonte: Ilustração de Glen Lowry

Alem de acreditar da minha visão de mundo, eu tomei o cuidado de procurar pessoas que também compartilham da minha visão. Isso é muito importante pois a força dessa visão se resume no fato de que você não está sozinho nessa. Milhões de pessoas estão com você ou até um grupo de amigos já é o suficiente para alterar os rumos e fazer transformações significativas.

Se você também tem essa visão de mundo em relação ao futuro da agricultura, convido a participar de uma pesquisa para saber de suas necessidades em relação ao conteúdo disponibilizado pela UO. Basta responder a algumas perguntas acessando o link http://bit.ly/uopesquisa

Agora, é super importante conhecer todos os lados, inclusive o lado das pessoas que não compartilham da sua visão. Tenho muitos amigos que não tem a mesma visão que eu, mas sigo em frente debatendo e colocando em prática aquilo que acredito, corrigindo a rota e aparando as falhas.

No meu caso, acredito que é possível alimentar o mundo com um modelo de agricultura e de vida que produza alimentos sem a necessidade de usar técnicas muito agressivas ao meio ambiente. Mas para isso precisamos pensar não só na agricultura como uma atividade estritamente do meio rural, mas sim do envolvimento da área urbana nesse movimento. A mudança na produção de alimentos passa pela mudança no estilo de vida. É nessa proposta que a Universidade Orgânica acredita.

Se você quer se juntar a UO, participe conosco dessa mudança. Para receber todas as novidades da UO, cadastre seu e-mail aqui em baixo. Eu mesmo vou responder suas dúvidas.  

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Fabio Morais


Gosto do cheiro da terra molhada e tomar banho de chuva. Gosto da roça, do contato com a terra. Minha profissão! Engenheiro Agrônomo que ama a agricultura orgânica e agroecologia.
  • Jonas Pagassini

    Prof Fábio, obrigado pelo exemplo de resistência a convenção e empatia com a ética. Espero poder continuar sendo estudante da Universidade Orgânica, aprendendo uma agricultura limpa e inegavelmente, a única com potencial de permanecer no futuro. Compreendo a opressão pela qual passou (sou estudante de agronomia, de um grupo de agroecologia, e sofremos essa opressão constantemente), e me alegro ao ver que há força na luta contra a tendência comum e suicida do processo civilizatório. Enfim, quero expressar meus agradecimentos pelo incentivo aos estudos e trabalhos com a agricultura ecológia. Forte abraço, Jonas Pagassini.

    • Fabio Morais

      Oi Jonas, nossa luta é muito prazerosa! Fico feliz em saber que não estou sozinho nessa missão de mudar a forma de fazer a agricultura no País. Grande Abraço!