5 princípios agroecológicos para a produção de comida de verdade

5 princípios agroecológicos para a produção de comida de verdade


Seja bem vindo, seja bem vinda, sou Fabio Morais, agrônomo e fundador da Universidade Orgânica. Nesse primeiro episódio da UOCAST, você vai aprender sobre os 5 princípios agroecológicos para a produção de comida de verdade.

Antes disso, quero que você saiba o que é a Universidade Orgânica! É uma iniciativa que fundei para compartilhar experiências e conhecimentos de qualidade sobre Agroecologia. Nosso foco é a Educação Agroecológica.

A UOCAST é mais um canal da Universidade Orgânica. Uma espécie de radio online onde você pode acessar quando e onde quiser durante 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Nosso sonho grande é “Mudar a forma de fazer agricultura no país, produzindo pessoas e comida de verdade.”

Então, vamos começar?

Bem, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. E o pior disso tudo que ainda permite o uso desses venenos agrícolas que são proibidos em outros países da Europa e nos Estados Unidos.

Mas que ótimo que é possível produzir alimentos e ao mesmo tempo melhorar o meio ambiente. Produzir alimentos com custos bem mais em conta que os convencionais, mas para isso vou apresentar aqui os 5 princípios básicos que todo agricultor, do campo e da cidade, devem seguir:

O 1º principio é a Teoria da Trofobiose:

Essa teoria foi proposta por um cientista e biólogo Francês chamado Francis Chaboussou em 1969 e se aplica a qualquer organismo, inclusive eu e você.

Ela diz que um organismo só sobrevive se houver alimento adequado e disponível para ele. Desta forma, as plantas da sua horta orgânica só serão atacadas por doenças ou pragas se ela tiver, na seiva, os nutrientes disponíveis para esses organismos.

Resumindo, uma planta bem nutrida adquiri resistência à maioria dos ataques de pragas. Em contraposição, se houver adubação excessiva, pode haver um desequilíbrio nutricional especialmente quando se usa adubos químicos sintéticos.

Esses adubos são altamente solúveis e segundo várias pesquisas, conduzem a uma elevada taxa de aminoácidos livres na seiva das plantas. Alguns fatores podem interferir nesse processo melhorando a resistência da planta.

São eles: Utilizar sempre plantas adaptadas a sua região, ter um solo rico em matéria orgânica e utilizar defensivos naturais.

Fatores que interferem na resistência da planta: tipo de solo; quantidade inadequada de luz e água; adubos sintéticos e agrotóxicos.

O 2º principio é a Diversificação:

Observe a natureza a sua volta, observe uma floresta, uma praça arborizada no seu bairro. Já notou que há várias espécies de arvores, arbustos e animais? Isso não é por acaso……

A natureza sempre é diversa. A diversificação é uma estratégia de sobrevivência e quando não há diversificação, as pragas (insetos e doenças) ocorrem de maneira mais intensa.

Cada espécie está relacionada a uma série de outras, criando uma verdadeira rede sustentável de interdependência e cooperação. Portanto, o cultivo de uma só espécie (monocultivo), torna o sistema mais instável e frágil para resistir ao ataque de pragas e às condições climáticas. Ao construir sua horta, utilize o número máximo de espécies possíveis. Recomendamos no mínimo três espécies para começar o aprendizado.

O 3º principio é o Equilíbrio Ecológico:

No sistema convencional de produção de alimentos, o uso de adubos químicos e agrotóxicos aliados ao intenso revolvimento do solo causam instabilidade no ambiente, levando a desequilíbrios nutricionais nas plantas e aumento da população de organismos prejudiciais.

Na natureza existe uma interdependência e inter-relações muito fortes entre organismos (insetos, ácaros, fungos, bactérias e outros macro e microrganismos) como por exemplo: Lagartas, que são controladas por vespas parasitas e espécies de vírus, e pulgões, que são atacados por joaninhas; entre tantos outros exemplos. Como estas, existem milhões de relações que são responsáveis pelo equilíbrio ecológico do sistema.

Conhecer as espécies certas e suas funções no ecossistema é fundamental para o sucesso de sua horta.

O 4º principio é a Reciclagem da Matéria Orgânica.

Matéria orgânica (MO) é o resultado da decomposição de resíduos vegetais e animais realizada por milhões de macro e microorganismos. É a maneira que a natureza encontrou para reciclar todos os nossos resíduos.

Um solo com altos teores de matéria orgânica tem mais vida, é mais rico em biodiversidade e é consequentemente mais fértil. A MO traz inúmeros benefícios para as plantas, pois confere resistência ao ataque de doenças e além disso:

  1. Aumenta a capacidade do solo de reter e armazenar água, diminuindo os efeitos das secas;
  2.  Aumenta a população de organismos úteis e benéficos (minhocas, besouros, fungos e bactérias), além de outros que estão presentes no solo;
  3.  Favorece a proliferação de organismos associados às raízes das plantas como bactérias que auxiliam na absorção do Nitrogênio e fungos capazes de aumentar a absorção de nutrientes;
  4.  Aumenta a capacidade das raízes das plantas de absorver minerais do solo em quantidades equilibradas, o qual absorve conforme sua necessidade;
  5.  É extremamente fundamental para a estruturação do solo, pois facilita a formação de grumos facilitando a penetração das raízes e a oxigenação do solo,
  6.  Contém hormônios vegetais de crescimento (fitormônios) que favorecem a respiração e a fotossíntese.

Quero dizer que o sistema orgânico de produção de alimentos se baseia em processos, em conhecimentos profundos nas relações no agroecossistema. Então é fundamental o aproveitamento dos resíduos locais para aumentar a fertilidade do solo e a biodiversidade.

 

Vamos para o 5º principio que é o resgate e valorização dos conhecimentos tradicionais dos agricultores.

Todos nós temos algo a aprender e a ensinar, carregamos experiências e vivências que são ensinados por via oral ou escrita. Os agricultores, a milênios passam essas experiências aos seus descendentes e que de alguns anos para cá, mais precisamente a 120 anos, foram quase esquecidas.

Milhares de sementes adaptadas as condições de clima e solo, técnicas de cultivo mais amigáveis ao ambiente, formas de convivência com doenças e pragas estão sendo valorizadas e resgatadas.

A utilização desses conhecimentos permite fazer uma agricultura mais resiliente em contraposição a uma agricultura dita moderna que cada vez mais impõe uma dependência de  um pacote tecnológico que não se adéqua mais a realidade agricola atual.

Então está aí, esses foram o alguns princípios agroecológicos que considero mais importantes, e se você achou interessante e quer participar, deixe seus comentários que eu, pessoalmente vou responder.

Antes de finalizar esse episódio, quero deixar um recado para você que deseja apoiar a Universidade Orgânica. Estamos abrindo a possibilidade hoje para você patrocinar a UO, anunciando seus serviços ou produtos para mais de 30.000 pessoas que interagem mensalmente no Blog e Redes sociais (Facebook, Youtube, Whatsapp, Linkedin e Instagram). E o numero de Pessoas cresce a cada mês, para você ter uma idéia, só no grupo da UO no facebook alcançamos mais de 12.800 membros.

Para conhecer as condições e planos de patrocínio entre em contato através do e-mail: fabio@universidadeorganica.com.br

Até o próximo conteúdo e Saudações agroecológicas!

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Fabio Morais


Gosto do cheiro da terra molhada e tomar banho de chuva. Gosto da roça, do contato com a terra. Minha profissão! Engenheiro Agrônomo que ama a agricultura orgânica e agroecologia.
  • Deborah Monteiro

    Bom dia Fabio ! Quero agradecer a oportunidade de conhecer a Universidade Orgânica , vivo em SP e estou farta de tudo isso , mas , quero aprender como posso viver da terra , pelo menos tentar… Em breve irei mudar para o interior de Minas e vou começar uma pequena horta orgânica no modelo Mandala . Pretendo tb fazer um herbário para chás e temperos. E para isso conto com a internet pois no momento não tenho tempo nem dinheiro para estudar fora. Agradeço a oportunidade novamente !!

    • Oi Debora, Que legal. Fico muito feliz em saber que deseja começar uma horta orgânica. Já ajudei mais e 30 famílias a implantarem hortas mandalas, acho muito interessante esse modelo. Qualquer dúvida pode chamar.

  • Vinicius Zangirolame

    Oi Fábio, estou iniciando um cultivo orgânico no meu sítio e pretendo usar o húmus de minhoca para adubação. O húmus será obtido a partir de esterco bovino pois tenho algumas vacas para a produção de leite. Como as vacas são vacinadas regularmente e recebem medicamentos para combate de carrapatos e antibióticos, quando necessário, gostaria de saber se o humus obtido a partir desse esterco estará contaminado ou se as minhocas eliminam esses produtos durante o processo digestivo delas. Grato, Vinicius

    • Oi Vinicios, tudo bem? As minhocas são bastante sensíveis a qualquer contaminação do ambiente. Antes de usar o esterco bovino, é necessário um período de maturação de 30 dias para que ocorra a fermentação. Só depois desse período você poderá oferecer o esterco para as minhocas. Minha recomendação é que tenha um local coberto para estocar o esterco.