Os melhores adubos verdes para sua horta orgânica

Os melhores adubos verdes para sua horta orgânica

Olá Universitário Orgânico, tudo bem? Sou Fabio Morais, Agrônomo da Universidade Orgânica. Nesse artigo você vai aprender o que são adubos verdes e como utilizá-los aí na sua horta. Este artigo também é para você que está começando sua horta orgânica e precisa de informações de qualidade para iniciar de maneira correta a produzir seu próprio alimento realmente saudável.

A técnica conhecida como adubação verde utiliza plantas com finalidades específicas de melhorar o solo. Essas plantas são chamadas de adubos verdes. Os principais adubos verdes são da família das leguminosas, mas existem também algumas espécies de gramíneas.

Os adubos verdes aumentam o teor de nutrientes no solo

Quando você respira, 80% é nitrogênio, um dos nutrientes fundamentais para as plantas. Mas a planta não consegue absorver o nitrogênio da atmosfera. Como a natureza é sábia, as plantas deram um jeito de se associar com algumas espécies de bactérias. As principais espécies  são os Rhizobium e Bradyrhizobium. Elas vivem no interior das raízes das leguminosas formando uma parceria super saudável, e suas colônias podem ser vistas em forma de nódulos nas raízes das plantas.

Colônias de bactérias fixadores de nitrogênio formando nódulos nas raízes.

Nessa parceria as bactérias conseguem transformar o nitrogênio atmosférico numa forma que as plantas conseguem absorver, em troca as plantas fornecem os nutrientes essenciais a vida das bactérias. Esse fenômeno tem o nome de fixação biológica de nitrogênio.

Além da grande parceria com as bactérias fixadoras de nitrogênio, as leguminosas se associam a fungos especializados em aumentar a absorção de nutrientes. Eles vivem próximos às raízes e conseguem “agarrar” as raízes das plantas construindo uma imensa rede. Essa rede de raízes se comunicam quimicamente com outras plantas até de espécies diferentes.

Os adubos verdes descompactam o solo

Graças as potentes raízes das leguminosas, elas são capazes de descompactar o solo pela penetração  em profundidade. Para você ter uma ideia, algumas raízes podem chegar a 2 metros de profundidade.

Essas raízes secretam substâncias que favorecem a agregação do solo, e quando a planta completa seu ciclo, aquelas raízes morrem fornecendo matéria orgânica e aumentando a porosidade do solo. As raízes mortas secam e criam verdadeiros canais onde a água infiltra com mais facilidade.  

Os adubos verdes aumentam a vida no solo.

Os adubos verdes fornecem alimentos de qualidade para os organismos do solo, além de diminuir a temperatura o que favorece sua proliferação. Muitos organismos se alimentam da matéria orgânica disponibilizada pelos adubos verdes. Pequenos insetos e minhocas promovem uma verdadeira reciclagem, transformando substâncias complexas em nutrientes que voltam a ser absorvidos pelas plantas e utilizados pelos próprios organismos.

Quero dar um destaque aqui para um microrganismo super importante para o solo: são os fungos micorrízicos ou simplesmente micorriza (mico = fungo, rriza=raiz). São fungos que se associam às raízes das plantas aumentando a absorção de nutrientes, água, agrega mais o solo e diminui a incidência de doenças.

Os adubos verdes aumentam a água no solo

A biomassa produzida pelos adubos verdes cobrem o solo diminuindo o impacto das gotas de chuva. A água infiltra mais lentamente evitando o arraste das partículas evitando a erosão. Outro benefício dos adubos verdes é a formação de uma barreira a incidência direta dos raios solares no solo. Dessa forma o solo fica mais fresco, a temperatura diminui, a evaporação da água diminui, enfim, a massa verde atua como um esponja sobre o solo mantendo a água por mais tempo no solo.

Como escolher o seu adubo verde?

A escolha da espécie de adubo verde vai depender do objetivo da implantação. Se seu objetivo for aumentar a disponibilidade de nutrientes no solo, é recomendável utilizar uma espécie com alta fixação biológica de nitrogênio. Se o objetivo for ao mesmo  tempo aumentar os teores de nutrientes e manter o solo coberto por mais tempo, o uso de espécies gramíneas é mais recomendável pois a taxa de decomposição é mais lenta em comparação as leguminosas.

Espécies com ciclo de vida maior, perenes, são as melhores opções para cobrir o solo de forma permanente e aportar nutrientes e matéria orgânica através das podas periódicas. Além de proporcionar o plantio direto de hortaliças e frutas.

Atentar que existem espécies mais adaptadas às estações primavera/verão e espécies mais adaptadas as estações outono/inverno.

Como utilizar os adubos verdes?

Os adubos verdes podem ser utilizados em plantio solteiro ou em consórcio. O plantio solteiro pode ser realizado nas estações primavera/verão coincidindo com o período das chuvas. Isso provoca uma produção de grande quantidade de massa verde. Uma desvantagem dessa forma é a ocupação da área na melhor época de plantio. Da mesma forma, o plantio pode ser nas estações outono/inverno mas a produção de massa vegetal é menor devido às baixas temperaturas.

Plantio de mucuna preta em toda a área. (credito: Edegar Formentini)

Plantando as leguminosas junto com a lavoura principal.

O plantio é feito entre as linhas de plantio da cultura principal. Um cuidado deve ser tomado em relação a disponibilidade de água. Um exemplo típico da união de plantio é o do milho com crotalária. O milho é plantado primeiro, e após 30 dias ocorre o semeio da crotalária entre as linhas do milho. Dependendo da forma da colheita, toda as plantas são cortadas disponibilizando uma grande massa verde ao solo, sem falar na fixação biológica de nitrogênio que para a crotalária está entre 300 a 400 kg N/hectare.

Crotalária plantada nas linhas do milho (Imagem: Edegar Formentini)

Plantio direto de hortaliças em cobertura viva

O plantio direto consiste em não revolver o solo e plantar as hortaliças utilizando a cobertura viva com espécies de leguminosas perenes. As vantagens dessa tecnologia são inúmeras e vou destacar algumas aqui:

Mantém a estrutura do solo pois há revolvimento mínimo;

Facilita a infiltração de água no solo pois o solo fica coberto

Diminui a oscilações de temperatura mantendo o solo mais fresco;

Aumenta a atividade de microorganismos benéficos;

Evita a perda de solo que ocorre com a erosão;

Plantio de alface e tomate utilizando a cobertura viva de amendoim forrageiro (Imagem: EMBRAPA Agrobiologia)

Principais espécies utilizadas na agricultura orgânica

Plantio de Primavera/verão

Feijão de porco – Canavalia ensiformis

Planta adulta de Feijão-de-Porco. No detalhe as suas vagens de mais de 20 cm de comprimento. (Imagem: Edegar Formentini)

O feijão de porco tem o hábito de crescimento herbáceo determinado, ou seja, o crescimento é paralisado em determinada etapa de desenvolvimento. É muito tolerante a seca e solos ácidos e evita a proliferação de plantas espontâneas na área. A estimativa de fixação biológica de nitrogênio varia de 80 a 160 kg de N/hectare.

Crotalaria – Crotalaria juncea

Plantio de Crotalária em área total (Imagem: Piraí Sementes)

Tem o hábito de crescimento arbustivo ereto, produz muita biomassa em pouco tempo (40 a 60 toneladas por hectare em 3 a 4 meses), tem grande capacidade de fixação biológica de nitrogênio ficando em torno de 300 a 450 kg de N/hectare. Pode ser utilizada em consórcio com plantios de pimentão, tomate, pimentão e pimentas, além do cultivo solteiro para incorporação no solo em pousio.  

Mucuna preta – Mucuna pruriens

Utilização de mucuna preta em área total e suas sementes. (Imagem esquerda: Edegar Formentini; Imagem direita: BrSeeds)

Essa tem o hábito de crescimento trepador bem agressiva. Seu ciclo é anual de mais ou menos 150 dias. O plantio pode ser feito em área total com corte e incorporação na fase de floração da leguminosa. Produz massa verde de aproximadamente 40 a 50 ton/hectare e fixação biológica de nitrogênio em torno de 180 a 220 kg de N/hectare. Por ter o hábito trepador, seu manejo é mais difícil principalmente quando é consorciada com lavouras perenes.   

Plantio de outono/inverno

Tremoço branco (Lupinus albus)

Planta adulta de Tremoço Branco (Lupinus albus) plantado em área total. (Imagem: Piraí Sementes)

 

Cultivo de morango orgânico com faixas de vegetação de Tremoço-Branco. (Imagem: Fabio Morais – Universidade Orgânica)

Tem o hábito de crescimento arbustivo ereto, seu ciclo é anual, produz em torno de 20 a 30 ton/ha de massa verde e fixação biológica de nitrogênio de 60 a 90 ton/ha. Em regiões produtoras de morango e hortaliças orgânicas essa leguminosa é utilizada tanto para corte e incorporação quanto em faixas de vegetação entre os canteiros. Servindo de barreira física a insetos e atração de polinizadores, além da atração de predadores e parasitóides naturais de outros insetos.

Aveia preta – Avena strigosa 

Plantio de Aveia Preta. (Imagem: Piraí Sementes)

É uma gramínea com hábito de crescimento cespitoso, ou seja, seu caule cresce perpendicularmente em relação ao solo. Produz de 30 a 60 ton/ha de massa verde e fixação biológica de nitrogênio em torno de 50 a 70 ton/ha.     

Para quem deseja ou já tem uma horta orgânica, a utilização de adubação verde é uma técnica quase obrigatória para recuperar a fertilidade do solo e aportar os nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas.

Espero ter ajudado com esse artigo e se você tem mais dúvidas em relação ao uso da adubação verde e na implantação da sua horta ou pomar orgânico deixe seu comentário logo abaixo. A Universidade Orgânica EAD tem cursos online para te ensinar a plantar e serviços de Consultoria Agronômica Online e presencial para te ajudar a fazer sua horta orgânica. 

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Fabio Morais


Gosto do cheiro da terra molhada e tomar banho de chuva. Gosto da roça, do contato com a terra. Minha profissão! Engenheiro Agrônomo que ama a agricultura orgânica e agroecologia.